sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Paulo Freire Repensado

O opressor não deseja educar o oprimido, mas apenas o condicionar pela sua animalização, pois o aprendizado está acima do limiar dos instintos que condicionam, o aprendizado desperta na consciência o senso crítico e questionador quando o almejado pelas elites é um coletivismo de massa acrítica. O caminho do condicionamento é oposto ao do autoconhecimento, é deter o indivíduo ao comportamento de massa em detrimento do ambiente do lugar que assim como nas selvas não transmite conhecimento e inteligência aos animais, mas apenas um 'comportamento de condição instintiva'. Esse se torna o caminho mais curto a uma ineptocracia que somente pode ser vencida pela vocação desperta da individualidade. A aplicação de testes vocacionais, por exemplo, torna possível conduzir esse indivíduo a realização do que melhor é capaz de fazer, e despertar a aptidão favorece a vocação o qual cada área de carência na sociedade pode ser preenchida livremente ao contrário do trabalho tido como sua versão retrógrada de castigo, fomentando uma ‘aptocracia’ onde a satisfação das massas será consequente.

Ao contrário de testes de QI que pouca utilidade tem a sociedade a não ser como ostentação a elitização, não demonstra quaisquer praticidades a sociedade dando margem a segregação por tipos restritos de intelecto - não de modo abrangente - e que muitas vezes são inúteis pois não representa necessariamente nenhuma vocação. Valorizar a vocação, recompensa-la, premia-la e paga-la é combater a ineptocracia que faz seu oposto, somente sociedades cujas massas acríticas são embebidas de violência não produzem gênios, artistas e cientistas como um padrão, pois estes são frutos de uma sociedade realmente primorosamente evoluída e civilizada.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Resenha: Pedagogia do Oprimido

"Não há história sem homens, como não há uma história para homens, mas uma história de homens que, feita por eles, também os faz, como disse Marx."
P.175

Paulo Freire tinha a óbvia intenção de expandir a consciência com resiliência dos segregados que viviam resignados numa exclusão que destituía estes de sua importância e valores. A obra 'Pedagogia do Oprimido' trás a máxima expressão dessa justa luta por tornar o homem a sua essência, livre e verdadeira. Assim a ideia da Consciência Máxima possível de Lucien Goldmann seria uma consciência capaz de transcender sua realidade social de forma crítica através de sua problematização sistêmica o qual Freire refere-se como 'descodificação'. Naturalmente que isso antecipa em anos a filosofia de uma matrix o qual realidades estão sobrepostas ainda que num nível socioeconômico.

"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão."
P.108

A consciência primeira seria auto limitante a sua própria realidade, ou seja, num nível essencialmente pragmático, voltado a mera necessidade. Deste modo a natureza dessa realidade parece não atender muitos aspectos da pirâmide de Smarllow assim como ser mais semelhante a "consciência" de um animal, que de um ser humano.

Paulo Freire observa que mesmo o analfabeto não é uma 'tábula rasa' como Locke postulou, mas um sujeito com conhecimentos necessários para a decodificação de sua realidade, quer seja por sua oralidade ou escrita. As informações necessárias a despertar seu senso crítico estão presentes independente do nível de instrução sendo necessário apenas problematiza-las para efetuar esta decodificação.

Freire, sobretudo observa como mecanismos diametralmente opostos aos proposto por ele são utilizados como forma de manter o poder opressor das classes dominantes, das divisões, quer por arbitrariedades de trato em exceções que tornam-se regra ou pela utilização de mitos que pelo senso comum perpetuam ideias falsas sobre o poder vigente. Sobretudo a dispersão do conhecimento pela educação sempre deve seguir uma razão de não imparcialidade mascarando ambos os lados em suas condições, quer oprimidos ou opressores. A isenção nunca será preterida pelos opressores.

"Para criar um escravo satisfeito, é necessário cria-lo estúpido. É necessário obscurecer sua visão moral e intelectual, e, na medida do possível, aniquilar o poder da razão."
Frederick Bailey

Particularmente derivo disto que a lei em si não deve ser demasiadamente rigorosa se o rigor em imparcialidade estiver em sua aplicação. O rigor assim deve focar-se no poder executivo e jurídico, não no legislativo pois convém a exceção ser arbitrariedades e mácula de poderes autoritários e(ou) ilegítimos.
Ao poder opressor convém utilizar-se dos mitos (assim como a fantasia) como um modo de atrelar o ethos aos instintos, assim deve acompanhar a ignorância em suas muitas formas como modo de impedir um senso crítico assim como a imparcialidade não preterível aos opressores. Freire nota também a razão do diálogo que a medida que deve ser imprescritível numa revolução ela não é preterível entre opressores e oprimidos.

Quando a educação não é libertadora, apenas adestra-se num continuado sacrifício o qual nos fazem escravos dos erros. Animalizar, para que sejamos escravos do ambiente e de nossos próprios instintos. A irracionalização do homem é o mais eficaz método contra sua liberdade num estado de não consciência, do não pensar reflexivo.

Para que a opressão possa triunfar é preciso inferiorizar a essência humana - mesmo de modo ofensivo e calunioso ou por violência - afim de sobrepor de maneira a realçar uma falsa superioridade em detrimento do mesmo. Não se trata apenas de neutralizar, mas de negativizar tornando-o em objeto passivamente receptor a incapacitando em sua potência em todos sentidos, mantendo a eterna condição de depedência e divida.

"Desconfiar dos homens oprimidos, não é, propriamente, desconfiar deles enquanto homens, mas desconfiar do opressor 'hospedado' neles."
P.320

Pedagogia do Oprimido  - Paulo Freire - Editora Paz e Terra - 2013

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Resenha: Ascenção e Queda dos Maias

Abaixo a resenha da resportagem da revista Nacional Geographic Ascenção e Queda dos Maias, lembrando que a formatação original fora alterada para se adequar ao blog.

Professor: Raphael Brum
Pedagogia – Sexto Período (Tarde)
Aluno: Gerson Machado de Avillez

Fogo Novo se tornou um marco para a civilização Maia onde hoje é o México. De acordo com antigas inscrições o evento de sua chegada remete ao longínquo 8 de janeiro de 378, mais precisamente em Waka, na atual Guatemala, e tão logo Fogo Novo se tornou peça chave de toda transformação ocorrida no mundo Maia do período arrastando consigo uma série de mudanças significativas ao passo da igual explosão populacional da região unindo a região que antes era feita de povoados fragmentados. Usou assim da diplomacia tanto como da força para estender os domínios forjando alianças e ampliando sua influência.
    Um povo violento o qual inúmeras guerras sucederam com matança até mesmo dos nobres de seu tempo onde até mesmo reis eram entregues a sacrifícios humanos a mando de Fogo Novo. Foram construídos na época palácios e templos que se erguiam a quase 100 metros de altura enquanto seus calendários eram os mais precisos do mundo antigo. Exímios observadores das estrelas eram capazes de prever eclipses o qual tornavam possíveis não somente a construção precisa de um calendário mas de fazer ajustes semelhantes ao dos anos bissexos. Haviam portos como o de Waka no rio San Pedro que era excelente para guardar canoas e outras embarcações menores.
    Seu comércio se estendia por uma extensa faixa territorial do sul do México ao litoral caribenho de Honduras. Os soberanos por sua vez, eram os senhores sagrados o qual conferia o poder de julgar questões religiosas e ideológicas sendo o xamã e governantes de seus súditos na guerra ou na paz. Porém, após a morte de Grande Pata de Jaguar todas as pretensões pacíficas de Fogo Novo. Morto supostamente pelos agressivos e violentos vencedores Grande Pata de Jaguar teria sido registrado na Estela 31 de Tikal. Fogo Novo assim desempenhava um papel de governador militar ampliando sua esfera de influência por um extenso território.
    Um relato do ano 800 diz que a pacífica cidade de Cancuén foi tomada pela violência onde diz-se que uma furiosa invasão fez com que se abandonasse construções inacabadas e outros utensílios pelo chão. Todo ódio dos invasores se concentrou em 31 reféns, provavelmente nobres a julgar pelas joias e adereços, provavelmente parte da família do soberano na cidade Kan Maax. Eles teriam sido levados ao pátio e mortos covardemente com lanças e espadas, por decapitação e empalhamento.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Protejo de Monografia de Gerson Avillez

Abaixo disponibilizo o projeto da Tese de Conclusão de Curso (TCC) do aluno Gerson Machado de Avillez, lembrando que a formatação original pela ABNT fora alterada a fim de melhor adequar-se ao blog.

Tema do Projeto:
A FORMAÇÃO DO ETHOS PELOS MITOS DA LITERATURA

Gerson Machado de Avillez (Turma da Tarde)
FAC-UNILAGOS
Gersonavillez46@hotmail.com

Introdução
Dos livros de Monteiro Lobato aos igualmente infantis de Ziraldo a literatura não somente internacional como a nacional está carregada de mitos que enriquecem não somente a cultura como o cotidiano escolar de crianças em todo pais, indo dos indivíduos ao coletivo, formando o modo de pensar de ambos, influenciando a cultura e a formação da personalidade do indivíduo. Os personagens icônicos destas fábulas vêm do imaginário popular de modo a transmitir a identidade de uma cultura arraigada em elementos populares que foram posteriormente cristalizados pela literatura sob forma de histórias próprias.
Monteiro Lobato é um exemplo de autor o qual utilizando-se dos mitos indígenas criou um vasto panteão mitológico em seus livros contando histórias que envolvessem personagens mitológicos destes povos nativos.
O quão importante isso se torna para a literatura não somente como forma de registro dos mitos como um modo eficaz de transmissão de valores que tornam possível a formação moral dos indivíduos tanto como do Ethos no coletivo. Ainda que no caso dessa literatura a formação seja um feedback construído a partir de uma fonte original de oralidade que são as histórias indígenas isso retorna aos leitores com histórias que transmitem ideias de conduta e comportamento, tais como cooperação e respeito mútuos, o convívio em comunidade e etc.
A identificação com os personagens demonstra uma essencialidade necessária para o qual o leitor possa melhor assimilar os valores transmitidos pelo mesmo de modo que, com a afeição e empatia, o leitor espelhe as ações dos equivalentes personagens da sociedade.
Hoje mais do que nunca isso se faz necessário mediante uma aguda crise de valores cujos elementos como individualismo e egoísmo os acentuam numa relação de unilateralidade, assim como levando a discussões de pertinência crítica a sociedade, estimulando a reflexão e o senso crítico no indivíduo.
A metodologia do estudo será bibliográfica e empírica, sendo a bibliográfica escorada em livros que se debrucem na relação dos mitos e formação moral na literatura como os livros de Marta Morais da Costa enquanto a pesquisa empírica se dará por meio da resposta de questionários por profissionais do ramo e o uso prático da literatura para o mesmo.
Este projeto de pesquisa pretende se desenvolver em três sessões. Na primeira pretendemos abordar o desenvolvimento dos mitos literários nos brasileiros, enquanto no segundo como estes mitos influenciam na formação do Ethos e, por fim, na terceira e última a prática do mesmo pelo docente o qual utiliza-se destas histórias para interceder na formação do Ethos pelo aluno.

Questões norteadoras
Buscando compreender a temática, o presente projeto de pesquisa apresenta como questões norteadoras:
    ● Como se desenvolve os mitos através da literatura brasileira?
    ● Como os mitos de literatura influenciam a formação do Ethos?
    ● Como o professor pode interceder para a formação do Ethos através da literatura?

Objetivo Geral
O Trabalho tem por objetivo levantar críticas e questões pertinentes a importância da leitura escolar para estabelecer um vínculo de relação com a formação não somente da cidadania, mas dos valores que a engloba de modo a ressaltar a importância da moral e cívica correlacionada a leitura da literatura infantil e infanto-juvenil em seu víeis filosófico a despeito da ética nas relações sociais.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Apresentação do Trabalho de Matemática

Terça-feira. dia 21 de junho de 2016 fora o dia da apresentação do trabalho de matemática do professor Ricardo, do curso de pedagogia, onde uma atividade deveria ser desenvolvida para deficientes visuais, veja, abaixo, as fotos.










sexta-feira, 10 de junho de 2016

Resenha: A Revolução dos Bichos

    O afiado humor crítico e irônico de George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) no livro ‘A Revolução dos Bichos’ usa a metáfora perfeita dos animais como transcrição da realidade de regimes totalitários e autoritários ainda que sirva igualmente para ditaduras tanto de direita quanto de esquerda, talvez querendo dizer sem reservas que tais “sistemas” apenas animalizam o homem ao deturpar os valores inerentes a humanidade e a sua subsequente sociedade.

    Os personagens sempre mostrados de modo caricatural pelo autor representam classes econômicas, estereótipos humanos assim como cargos igualmente equivalentes, mas não somente, mostram também tipos de sociedade, éticas onde mesmo o autor possivelmente se encontraria.

    De um lado temos as elites representadas pelos porcos, geralmente gananciosos, hipócritas, tendenciosos e cínicos a medida que são inteligentes. Através deles podemos ver a representação do almejado por seu regime deturpado e opressor ainda que vendido aos bichos como a salvação deles ante a maldade dos homens.

    Garganta, o porco que é porta voz dos suínos parece remeter a sociedade da informação que informa não necessariamente a verdade, mas apenas os interesses dos porcos governantes através de sofismas e mesmo mentiras descaradas como se fosse “o certo” feito por eles.

    Porém, o Burro que seria a personificação irônica do alterego do autor seria uma espécie de resistência ao proferir o conhecimento da verdade sobre tudo que ocorre assim como do conhecimento em si. Sendo assim uma representação da Sociedade do Conhecimento onde não há distorções, enganos e mentiras, nada desejável pelos porcos assim como as elites e ditadores de nosso mundo, a exemplo da Coréia do Norte, o regime mais fechado do planeta o qual informações falsas são divulgadas a todo instante para o povo e, quem ousa enfrentar – e revelar a verdade – corre sério risco de ser morto simplesmente desaparecendo.

    Tais sociedades acompanham suas equivalentes éticas de modo a servir apenas o almejado. No caso dos porcos que criam “leis” para depois modifica-las exclusivamente para justificar seus atos e seu status quo seria nestes casos um exemplo de ética utilitarista de John Stuart Mill ao passo que a sociedade implicitamente defendida pelo Burro representa a ética dever, de Immanuel Kant.

    Ainda que tais éticas cada qual apresentem limitações e defeitos observável perceber que a ética de Kant servem intenções menos egoístas de um grupo ao responder direitos e deveres supostamente de todos com isenção, não sendo o caso das leis dos porcos que, por exemplo, falam em dado momento que “todos os animais são iguais”, mas depois acrescentam que “uns são mais iguais que outros”.

    Isso demonstra a posição de superioridade e privilégios que tais porcos, agora elitizados, colocam a si mesmos ainda que em dado momento contraditoriamente defendam uma meritocracia quando há maiores facilidades para eles ao contrário do cavalo Sansão que literalmente sucumbe de exaustão de tanto trabalhar sem proporcional retribuição, demonstrando um esforço inútil através dos porcos que utilizando-se da sociedade da informação vende notícias que não correspondem a verdade.

    A afiada crítica social – presente não somente nesse livro como em ‘1984’ – parece fazer valer o status de clássico literário ao unir ideias originais e as referidas críticas ao poder corruptor que parecem claras quando o porco Major, antes dos porcos deterem o poder, defendia uma ideologia que em tese era majestosamente adequada a todos para tira-los da submissão sofrida pelos homens, mas que na prática se transforma apenas num perpetuador de iguais aflições quando os porcos conquistam o poder, algo que adequa-se ao Marxismo que em tese seu autor defendeu como exemplo de igualdade de classe para todos mas, na prática, se deturpou a exemplo de Stalin e cia.

    Visível notar, porém, que a crítica apesar de ser amplamente utilizável era originalmente voltada as ditaduras de esquerda ainda que Orwell fosse socialista pois acreditava que os perpetuadores do marxismo não a correspondiam na prática, sendo assim uma degeneração do mesmo.

    O grau de contundência de tal crítica até hoje atual demonstra como o poder corrompe e vicia seus perpetradores de modo a se distorcer do que seria em teoria impressiona por sua precisão ao mostrar padrões em incomum a quase todos que detém o poder. Hoje vemos muitos exemplos daqueles que, sendo mais poderosos, se atribuem privilégios e facilidades que não admite que aqueles considerados “inferiores” igualmente a detenham, criando não somente dicotomias como abismos sociais que fazer crescer uma série de problemas sociais que nunca parecem ter fim.

    A exemplo dos poderosos brasileiros a corrupção antes oculta que vem sendo lentamente mostrada não resiste a luz da exposição de suas provas, ainda que em grande parte permaneça impune pelas posições sociais e econômicas que esses detém enquanto muitos vivem um regime praticamente fechado sem nada terem feito de errado a não ser sofrer a perseguição por tentarem ter justiça social ante aqueles que ditam: “faça o que falo, não faça o que eu faço”.

    Particularmente por causa de livros como estes adquiri uma posição com tendências mais ao anarcopacifismo por notar que, a exemplo do Brasil, a maioria quando alcança o poder se corrompe passando até defender o elitismo para manter seu status quo ante as classes inferiores que tanto sofrem no mundo. Até quando toleraremos tantos porcos quando possuímos o poder de Sansão? A ironia de Orwell ao escolher os porcos para representa-los torna-se evidente e quase ofensiva.

    O Burro defensor do conhecimento assim como Paulo Freire parecia perceber a situação imponderável dos poderosos através da máxima de Freire: "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor." Isso sucedeu os porcos que alcançaram o topo apenas para perpetrar os mesmos erros de seus antecessores, o homem, para no final eles passarem a andar em duas patas similarmente aos homens demonstrando que apenas estavam se tornando exatamente aquilo que achavam atacar, o mal, pois agora aqueles que também andava sobre duas pernas eram dignos de ser aliados dos animais.

- Orwell, George – A revolução dos Bichos – Ed.Companhia de Letras - 2007

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Jornal 'O Pedagogo'

Abaixo uma amostra do trabalho da aula do professor Fábio Marchon, um jornal de pedagogia intitulado pelo grupo como 'O Pedagogo'.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Planto de Aula: Corpo Humano

Objetivo especifico:
O aluno deve Conhecer nomear e ler, favorecendo relações entre as partes do corpo e leitura.

Objetivo Geral:
Conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à saúde e à saúde coletiva. Fazer com que o aluno perceba e nomeie de modo lúdico as partes do corpo. Observar o lado de fora do nosso corpo, conhecendo o próprio corpo.

Desenvolvimento:
Inicialmente mostrar um cartaz onde aparece o corpo humano, suas partes e até o esqueleto. Criar um diálogo com as crianças permitindo que as mesmas façam suas perguntas para que o professor as responda;
 A seguir entregar a figura de uma menina com as partes do corpo nomeadas. Eles deverão colar (aberto no caderno);
Quebra-cabeça do corpo humano. Eles pintam, recortam, montam e colam inteiros no caderno;  Cada aluno receberá uma figura. Deverão escolher dois lápis com cores diferentes e Pintar os pedacinhos que formará as palavras;

Material de apoio:
Cartaz, lápis de cor, tesoura, cola.

Avaliação:
A avaliação será feita com a observação do desenvolvimento do aluno nas atividades proposta.

Alunos de 3ª do Ensino Fundamental.
Tema: O Corpo Humano.

Projeto Pedagógico

Título: Telefonia e Comunicação
Justificativa:
Um projeto pedagógico que favoreça melhor a interação social para ensinar a importância das ciências e tecnologias no cotidiano; assim como funcionam algumas tecnologias de telecomunicações.

Objetivos Gerais: Abranger a importância das telecomunicações para a sociedade de modo interdisciplinar e com transversalidade ao aborda como se constrói um telefone, da versão rudimentar com duas latas e barbante em comparação com os telefones atuais.

Objetivos específicos: Como a tecnologia nos serve rotineiramente estando integrada a vida social em todas áreas; a importância das relações sociais mesmo a distância favorecendo melhor entrosamento entre alunos de modo divertido; Como funciona os telefones;

Procedimentos: de modo muito simples construir um telefone rudimentar utilizando duas latas usadas e barbante para ligar os dois lados, de modo que pela vibração o som transmitido de um lado a outro.

Conclusão: Com a construção simples do objeto de estudo os alunos irão aprender de modo divertido como são um dos principais meios de comunicação mais absorvidos pela cultura, os telefones. Os alunos por meio de mecanismos simples vão brincar com o invento os levando a compreender tal tecnologia de modo entrosado com seus colegas.

Avaliação: A avaliação será feita ao decorrer do experimento que será igualmente social, até sua conclusão após brincadeiras serem feitas com o telefone construído, a demonstrar a importância da ciência na sociedade e cultura atual. Os alunos que compreenderem e melhor responder as perguntas de como a informação se propaga pelo dito telefone rudimentar terão avaliação positiva do professor.

Autor: Gerson Machado de Avillez / Professor: Valdinei

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Delimitação da Monografia

Professor: Marcos de Oliveira
Nome: Gerson Machado de Avillez
Exercício de delimitação

Tema:
O desenvolvimento do ethos coletivo pela educação e seus pontos de deficiência no Brasil.
Assunto: Como o ensino, especificamente o básico, auxilia na formação de indivíduos tanto como no coletivo em suas concepção es de valores sociais inerentes a realidade em que se insere, podendo apresentar um feedback de transformação dentro de toda diversidade cultural e política brasileira.
A educação exerce papel central na formação de valores morais que são as bases dos costumes e comportamentos em sociedade, de modo que onde a educação é mais valorizada, melhores são os valores éticos, normalmente.
A delimitação temporal do estudo compara períodos diferentes como o da democracia e ditadura, relacionando como o conhecimento – que é poder – adquirido, pode, em muitas instâncias, moldar a sociedade no individuo ao coletivo, tornando a ignorância que leva a discriminação e senso comum, escasseados.
O estudo postula que a busca plena pelo saber reto, não do senso do lugar comum, deve ser inserido com constante intermediação epistêmica na cultural, normalmente alimentadora do saber empírico e assim como modo de combater a discriminação inferiorizante em todas suas facetas (sexuais, étnicas, religiosas e raciais) que ferem dignidades sendo sempre relacionadas ao senso comum.
A concepção do estudo concluí que tal formação deve ocorrer desde o ensino básico no papel de ensinar a cidadania em seus deveres e direitos e demonstrar como a ignorância leva a discriminação tornando-se um perigo, inerente a um ethos imaturo. Cita exemplos práticos e históricos disso, que, como alimentadores de abismos são pontos deficientes do Ethos como sua involução antropática para o nível civilizatório por ser retrógrado sob todos aspectos.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A Importância da Escrita para a humanidade

Assim como o surgimento da escrita definiu o fim de um período para a humanidade, especificamente da pré-história para a história, a escrita quando aprendida na infância determina o surgimento da época em que ela começa a ter um melhor apuro do mundo a seu redor, aprimorando sua linguagem e estabelecendo melhores vínculos com suas relações interpessoais:

"Não existem relatos ou vestígios de como surgiu a linguagem humana em todas suas matizes e troncos. O que temos ideia é que pela essencialidade de trocar informações surgiu a comunicação tendo por meio a linguagem. (...) Mesmo as mais simples palavras estruturadas de modo rítmico ganham poder de alcance pela poesia que a envolvem."
(AVILLEZ, 2014, p.5 e 5)
   
Em todo mundo a linguagem escrita tem um papel determinante na precisão de determinados conhecimentos que antes eram apenas transmitidos oralmente, e por isso distorciam-se ao longo dos anos o que favoreceu o surgimento de mitos e mesmo deuses. A linguagem registra não somente os fatos do período com relatos ricos em detalhes como elabora seus próprios conceitos do mundo. Tornando-se uma forma muito mais precisa e segura de transmitir o conhecimento não seria exagero afirmar que o analfabetismo relega seus pares a uma pré-história do conhecimento.

Mesmo para os antigos o que estava escrito era o determinante como o que era válido e definitivo, a exemplo da lei nos dias de hoje, o que se determina é o que está escrito, o que reflete tal importância no passado até os dias de hoje.

Se epistemicamente antes não se conhecia os autores de contos populares como no livro 'atividades para o ensino da Língua Portuguesa' (DIAS, Ana Maria Ioiro, 2013) por ser dado ao empirismo o qual era a transmissão de conhecimentos apenas por oralidade, hoje os contos encontram-se cristalizados ao passarem ser escritos e assim transmitidos como ferramenta de ensino a própria língua portuguesa, como no supracitado livro.

Poder-se-ia afirmar que a epistêmica do conhecimento humano somente se tornou possível graças a escrita, pois na oralidade dados perdiam-se ou se distorciam, como a exemplo da teoria do telefone sem fio, uma brincadeira comum entre crianças. A epistêmica dá precisão ao conhecimento que sempre será cristalizado na escrita como forma de conduzir todo o mais.

Ou seja, ainda que a oralidade seja ensinada a exemplo dos contos, num meio escolar ou acadêmico sempre passará, hoje, pela escrita de modo mesmo as lendas e mitos perpetuados por contos populares passam a ser registrados a fim de estudos que levem a melhor compreensão deles.

Os contos trancosos quer sejam eles inventados ou não, perpetuam ideias vagas de uma realidade transmitida oralmente, de modo que o termo 'trancoso' serve para determinar a uma procedência por isso fantástica que confunde-se obviamente com o sobrenatural.

A escrita é o meio, mas mesmo no meio acadêmico é o ponto determinante da conclusão de uma investigação metódica como sua conclusão, das coletas de dados a opiniões delas extraídas.

Com a escrita tornou-se mais fácil o estudo da própria evolução da língua e melhor articular maneiras precisas de ensinar conseguindo detectar os mecanismos de como a língua evoluí ainda que normalmente por vias orais.

Autores
Gerson Machado de Avillez
Patrick Batista
Evandro de Andrade
Marinete Franklim

Referências Bibliográficas
DIAS, Ana Maria Iorio. Atividades para o Ensino da língua portuguesa: Vozes, 2013.
AVILLEZ, Gerson Machado. A Batalha das Palavras: Clube de Autores, 2014.

Resenha de A Águia e a Galinha

Por Gerson Avillez

Uma águia é criada como galinha desde filhote por um camponês. Não conhecendo seu potencial, e vivendo uma vida amputada e mutilada, fica resignada a uma vida pedestre de ciscar grãos de milhos ao lado dos demais galináceos por ter seu direito de voar arruinados, por desconhecer o potencial de suas asas ante uma criação torta.

A metáfora predita num discurso por James Aggrey, um político de Gana -  país por muitos anos miserável pela colonização - aspira ao messianismo por ater-se a conceitos inspirativos de uma moral sobre perseguidos e injustiçados, não sendo uma ideologia meramente de agrado ao lado “tripudiador” como justificativa ao injustificável.

O trato dado pelos colonos ingleses aos ganeses era de que nada podiam, eram inferiores, sua cultura inadequada e que estava destinados a uma vida miserável e de servidão, sua liberdade e conquistas não eram escolhas pois antes mesmo que começasse a liberdade, a subjugação inglesa acabou com sua cultura gradualmente degradada pela imposição cultural e política própria. Isso expõe apenas uma faceta de justificativas ao injustificável, uma aberração que na realidade serve a muitos contextos e justamente o ponto de partida para o livro ‘A Águia e a Galinha’ do intelectual Leonardo Boff.

Boff ao repaginar a metáfora de Aggrey nos remete a vários paralelos do autoconhecimento associando-se a elementos dos conhecimentos filosóficos, científicos e teológicos. O recado é claro: não é alguém que pisa sobre nós que pode determinar o que somos, desfigurar nossa identidade e impor mesmo nosso ser para ainda querer ter razão, ficar preso a uma realidade não nos faz necessariamente parte dela, como o mito da caverna de Platão. Somos o que fazemos, não o que desejam fazer conosco.
A águia assim estava vendo apenas suas próprias sombras do que era, uma sombra de galinha, precisava ir pra fora da caverna e ver-se como realmente era assim como a realidade que não conhecia.

A partir disso Boff mergulha na história humana e em diversos outros exemplos da aplicação de que todos nós temos uma águia tanto como uma galinha dentro de nós, de modo que podemos associar ambos na vida cotidiana.

Águia, signo de liberdade e do alçar voos, expoente comum da teologia da libertação o qual Boff ajudou a fundar, apresenta traços de independência ao contrário dos colonizados simbolizados pela galinha. Todos dependemos de relações e assim o lado “galinha” sempre é não somente presente como necessário, mas também temos sonhos o qual toda águia representa: poder libertar-se das amarras comuns dos algozes simbolizados pelo colonialismo inglês e poder ter autonomia e liberdade realizando sonhos.

Assim apresenta-se um diálogo estabelecido pelo autor entre dualismo e dualidade, elementos contrários mas que se completam e contrários que se anulam. Num universo na eterna busca pelo cosmos através do caos deixa implícito que a perfeição e equilíbrio definitivo pode nunca ser atingido, mas sim aprimorado.
A identificação com o livro ao leitor é imediata. Ao viver numa sociedade dominada por abismos e adversidades a injustiça é fato, os pobres são galinhas e os ricos águias, mas justamente disso pode surgir um messianismo que assim como com Jesus e inúmeras outras personalidades é libertador.

Jesus fora crucificado como uma galinha, mas o signo da ressureição emergiu como uma águia e para tanto revoou aos céus após isto.

Todavia parece remeter a ideia de que assim como há coexistência entre alguns tipos
de opostos, de acordo com Niels Bohr, há aqueles que são irreconciliáveis como água e óleo. Em contraparte, ideologias como a do colonialismo, dos servos e senhores, ideologias que apresentam duas faces e assim apenas são justificativas ao injustificável, uma ideologia de abismos fomenta não a dualidade, mas dualismo. Afinal o pobre pode viver sem o rico, mas esse tipo de rico não vive sem o pobre, vide o colonizador que se apresenta imprescritível ao colonizado quando na realidade o colonizado que é imprescritível ao colonizador que não vive sua mão de obra barata, mas o contrário é muito mais fácil. Esses pobres vivem sem os ricos.

Torna-se inquestionável que Leonardo Boff é um notável pensador e no livro prova seu valor não somente demonstrando sua erudição como enriquecendo o texto com metáforas normalmente coerentes. Ainda que eventualmente pareça sair do cerne do cristianismo à mistificação ao abraçar elementos pseudocientíficos e bem ultrapassados da ‘nova era’ e que na prática pouco resolvem ou acalentam anseios - nunca tive conforto ou respostas neles - apenas criando teorias que são justificativas para si próprios apenas.

Aqui e acolá, Boff comete falhas e deslizes, como por exemplo ao afirmar que ao evolucionismo de Darwin é a lei do mais forte que reina, quando ao conhecedor percebe-se que é o mais apto de acordo com a afirmação do próprio Charles Darwin. Vide, a biologia não apresenta leis como em física.

Mas a consistência está na pregação do autoconhecimento e na crítica cultural de como povos subjugam muitos demais ao impor seus sistemas de crenças e "valores" o que torna-se contraditório. O texto assim desenvolve e envolve o leitor mergulhando em todas as possibilidades que abre a referida metáfora do título.
Hábil artesão em tecer as sentenças no texto e amarrando pontas, Boff demonstra sua bagagem cultural e experiência ao nos orientar por um caminho não só de autoconhecimento como de autoajuda, sendo assim - mesmo com falhas -, de longe, uma das obras do filão mais prestativas que conheço no mercado editorial/literário.

Pode não ter me libertado, mas ao menos enriqueceu meu conhecimento sobre alguns assuntos e somente ficou faltando delinear melhor a diferença das vertentes que exemplificou, pois as vezes parece que o próprio autor esquece que o dualismo não é dualidade e que ainda assim existe água e óleo como o próprio colonialismo global que vivemos, a exemplo dos Estados Unidos.

Certamente Leonardo Boff poderia ter feito melhor com seu potencial, mas ainda assim a obra traz alguns ótimos momentos ao repaginar os inúmeros tipos de dualidades presentes nas esferas física (material), humana e espiritual, deixando um recado claro contra o materialismo dominante pelo capitalismo: somos todos galinhas quando nos tornamos meros consumidores (de milho).

A Águia e a Galinha - Boff, Leonardo - 2014

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Apresentação de Trabalhos

Abaixo algumas fotos dos trabalhos apresentados no curso de pedagogia da Fac-Unilagos.

Trabalho de apresentação na aula da professora Vanusa 
Ribeiro sobre Ivan Cruz.

Apresentação do trabalho sobre trânsito da aula de Estágio III.

Apresentação do trabalho de Fábio Marchon sobre o hino 
nacional. Trabalho apresentado por Gerson Avillez, Evandro 
Andrade, Patrick Batista, Raquel Alexandre e Mariana Ouvidor 
no dia 28 de março de 2016.
Evandro Andrade e Mariana Ouvidor
apresentando trabalho sobre Ivan Cruz

Apresentação do trabalho de Vanusa: Gerson Avillez,
Evandro Andrade e Patrick Batista

Todos do grupo de apresentação do trabalho sobre Ivan Cruz

Gerson Avillez, Evandro Andrade e Patrick Batista apresentando um
trabalho da aula da professora Iguacira.
  









Patrick Batista, Evandro Andrade, Mariana Ouvidor e Gerson Avillez numa
apresentação na brinquedoteca.


Apresentação de uma aula para o trabalho da professora
Silvia.
 

Gerson Avillez, Evandro Andrade e Patrick Batista numa apresentação.

Evandro Andrade e Gerson Avillez no Júri simulado do professor
Marco Joaquim.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Conduzindo pra fora da Caverna

Ilustração da caverna do mito de Platão

O Mito da Caverna de Platão nos fala de como a ignorância pode ser uma contemplação de sombras da verdade que nos cerca. Partindo desse princípio a educação o qual o papel nos traz ao conhecimento, a verdade, remeteria ao princípio de nos conduzir para fora dessa espúria caverna. Não por menos o termo educação vem do grego educere que significa conduzir para fora. Tendo uma relação explícita ou não com o termo em sua etimologia isso nos serve como perfeita metáfora para a importância da educação no mundo, como forma de, etimologicamente, nos livra das ilusões proporcionadas pela ignorância ou com a falsa impressão de conhecimento pelo senso comum.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Resenha do livro: Paulo Freire para Educadores

De um jovem nordestino que resolveu cursar direito à descoberta em si para o seu verdadeiro ofício, a pedagogia. A história de Paulo Reglus Neves Freire é narrada pela autora Vera Barreto de seu trajetória praticamente iniciada pelo exílio com o golpe militar que era uma culminância de conspirações na década de 1960 que levou Freire a sua consagração internacional que o levou a ser um dos mais importante intelectuais de nosso país e criador da pedagogia libertadora.

    Paulo Freire tem uma poderosa mensagem universal acerca das classes, em especifico dos que são socioeconomicamente oprimidos. Sendo um dos maiores incentivadores da alfabetização trouxe ao seu pais – e a tantos outros latino americanos – a possibilidade das classes mais pobres e oprimidas se alfabetizarem. Vera Barreto define do seguinte modo:

"Os poderosos já não viam os outros como seus iguais, mas como objetos necessários para a satisfação de seus interesses. Tornaram-se opressores da maioria impondo-lhe sacrifícios e restrições para aumentar seus próprios privilégios. Gradativamente, estas relações opressoras foram se institucionalizando de tal maneira que passaram a ser consideradas naturais. Apareceu uma “Ordem” que legitima esta situação de opressão e reage contra todos que ameaçarem os privilégios para restaurar a humanidade de todos.(...) Mais do que isto, os oprimidos passaram a introjetar esta ordem injusta, como se fosse natural, e a considerar os opressores como modelos bem sucedidos de seres humanos. Modelos que procurarão imitar sempre que tiverem poder para isto. Cada oprimido passou a trazer em si a semente do opressor, fortalecendo a estrutura social vigente, injusta e castradora."
(Barreto, p.56, 1998)

    Barreto mostra que a luta de Freire pela educação é uma luta para colocar em melhor posição das classes mais oprimidas de modo que Freire estabelece a alfabetização como ponto central de sua luta inicial. Se conhecimento é poder, a educação como ato de tornar o educando ao conhecimento é libertador tornando o oprimido livre das amarras impostas pelas classes dominantes através da ignorância e, a exemplo do que põe Freire, o analfabetismo.

    Assim do retorno triunfante de Freire ao Brasil onde lecionou na faculdade e assim como sua vida pessoal, ele criou movimentos como O Circulo da Cultura com o objetivo primordial de alfabetizar adultos que viviam a margem da sociedade, pois para Barreto "embora seja verdade que as pessoas não conhecem de modo igual e que isto as torna diferentes umas das outras, esta diferença não justifica nenhuma superioridade" (Barreto, p.61, 1998).

    O programa de Freire buscava conhecer as palavras geradoras de dada comunidade a fim de traçar um plano de alfabetização que incluía a observação silábica e do movimento labial em sua pronuncia. Vera Barreto postula do seguinte modo os critérios postulados por Freire:

— riqueza fonética – as palavras deveriam conter todos os fonemas da língua portuguesa;

— dificuldades fonéticas – as palavras escolhidas deveriam responder às dificuldades fonéticas da língua, colocadas numa sequência gradativa;

— aspecto pragmático da palavra – as palavras deveriam possuir forte entrosamento com a realidade social, política e cultural.

    "Não há leitura nem escrita sem uma compreensão do lido ou escrito. Esta compreensão depende da 'leitura de mundo' que o educando é capaz de fazer” (Barreto, p.126, 1998) de maneira que a leitura de mundo era a constante comum para a alfabetização consciente de modo que ensinar a aprender de modo crítico se tornava vital a compreensão plena do que se lia e escrevia, de modo que a “natureza é o mundo que os seres humanos não fazem e a Cultura é o mundo feito pelas mulheres e homens” (Barreto, p.108. – 1998).

    Entre os demais métodos ensinados por Freire estava a utilização de fotografias legendadas assim como fichas onde ilustrações enriqueciam tais aspectos ensinados, de modo que a descodificação dos educados permitia observar que “a Cultura modifica-se no tempo, ou seja, é histórica” (Barreto, P.110, 1998), por exemplo.

    A educação assim levava a uma compreensão das diferenças de cultura e outros aspectos como a natureza de maneira chegavam a discutir mesmo aspectos das artes num âmbito cultural e que, por exemplo, "a poesia responde a uma necessidade diferente daquela que levou à construção do poço ou do vaso” (Barreto, p.113, 1998).

    Isso, assim como a mensagem de Freira era universal a busca pela alfabetização seguia a igual universalização mediante as dificuldades comuns enfrentadas por todos independente de sua cultura e sociedade o qual vivia, mas presente no contexto socioeconômico o qual levava este a condição, a maioria das vezes, de oprimido. Romper com o ciclo de relação entre o oprimido e o opressor somente era possível mediante uma intervenção pedagógica contextualizada de modo a exacerbar que é a ignorância o mais eficiente mecanismo de opressão.

    Paulo Freire assim se tornou um expoente máximo e de conhecimento internacional como representante de nosso pais a lutar pela igualdade de classes através de uma das mais poderosas armas que o homem pode ter o conhecimento que vem da educação, conforme mesmo Nelson Mandela dizia. Seguindo uma trajetória notável acadêmica e culturalmente, Paulo Freire nos deixou no ano de 1997 quando ainda tinha muitos planos a serem realizados.

    O livro de Vera Barreto assim nos leva a uma viagem não somente pelos métodos desse notável a humanizador homem do conhecimento como sua trajetória e vida exemplar a quaisquer pessoas que almejam ser pedagogos e curar os males da ignorância comum ao engano dos que vivem oprimidos.

Avillez, Gerson - Fac-Unilagos, Araruama - 2015